Trekking no vulcão Villarrica

Vulcão Villarrica: relato pessoal de um trekking em um vulcão ativo

Pucón entrou no nosso roteiro por dois motivos: a cidade além de ser linda, é a melhor base para subir o vulcão Villarrica. E eu queria a todo custo fazer o trekking no vulcão Villarrica. Talvez tenha sido esse a todo custo o responsável pelas coisas não saírem como planejado. Por isso, segue aqui o meu relato pessoal mostrando um outro lado da moeda. E como diz o jargão popular: senta que lá vem textão!

Base no vulcão onde funciona o restaurante na temporada de inverno

Como foi o nosso trekking no vulcão Villarrica


Expectativa

Fazer o trekking em um vulcão ativo era uma das coisas mais esperadas da nossa viagem pelo Chile. O vulcão Villarrica é impressionante, mesmo. Subi-lo em meio a neve, chegar até a sua cratera e depois descer de esqui bunda parecia uma aventura e tanto. E foi! Bom, mais ou menos.

Olhando assim, parece até pequeno, né? rs
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Preparação

Fechamos o trekking no vulcão Villarrica para o nosso último dia em Pucón. O tempo estaria bom, sem muito vento e com solzão. Não tínhamos as roupas adequadas, mas todas as empresas oferecem os equipamentos e as vestimentas necessárias. Equipamentos de caminhada na neve, botas de trekking, mochila, roupas impermeáveis, material para o esqui bunda e etc. Nosso primeiro erro foi exatamente esse: não considerar o tipo de roupa que estaria inclusa. Vejam bem, todos os materiais que usamos estavam em bom estado, mas o peso da bota que me foi emprestada influenciou bastante no trekking.

– Sobre nossas condições físicas

Bom, somos profissionais de Educação Física bastante ativos em relação às práticas esportivas. Porém, não estávamos fazendo muitas trilhas nos últimos meses que antecederam a viagem. E esse foi o nosso segundo erro. Menosprezamos o fato de que iríamos fazer uma atividade completamente diferente das que estávamos fazendo.

Provavelmente uma galera bem melhor condicionada que nós hahaha

– O dia anterior

No dia anterior à ascensão ao Villarrica aproveitamos para fazer alguns passeios pela cidade. Tudo muito tranquilo para não deixar o corpo cansado. Também compramos alguns lanches e água para levarmos no trekking. Porém, pecamos na parte da noite. Nosso terceiro erro foi não dormir cedo. Saímos para jantar e voltamos próximo da meia noite. Para quem tinha que estar na agência do passeio às 6 da manhã, certamente não foi uma boa decisão. Óbvio que já acordamos cansados.

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O dia do trekking

Às 6 da manhã já estávamos na agência pegando nossos equipamentos. Foi aí que eu senti que a bota que eles ofereciam era bastante pesada. Éramos um grupo de 12 pessoas de várias nacionalidades, mais os 4 guias da empresa. Seguimos de ônibus em direção ao Parque Nacional Villarrica. Ao entrar no parque, um dos guias entrega uma lista com os dados de todos os que farão a ascensão ao vulcão. Na hora de ir embora essa lista é revista. Achei que havia um bom controle por parte do parque.

Vamos encarar o Villarrica?

– Instruções

Os guias fizeram uma pequena reunião com o grupo na base do vulcão. Era o momento de dar todas as instruções necessárias para um bom andamento da atividade. Eles explicaram sobre o uso dos equipamentos, principalmente do piquete – aquele negócio meio bastão, meio martelo para caminhada na neve. Aproveitaram também para falar como proceder em caso de escorregar ou cair na neve. Coisas que você não aprenderá em 5 minutos, sabe? Explicam também a forma correta de caminhar com grampones sem se machucar e como será feito o percurso na neve. E se você quiser ir ao banheiro, essa é a hora! Uma vez no vulcão, sua única opção será fazer xixi atrás de alguma pedra! haha

– Início da caminhada

No início do trekking há a opção de pegar um teleférico pago à parte e economizar cerca de uma hora de caminhada. Optamos por isso, claro. A subida começava por um extenso caminho de cascalho e rocha vulcânica que me dói as pernas só de lembrar. Era uma mistura de areia com pedra, de cor escura e fofa, e era necessário fazer mais força para tirar o pé do chão que outra coisa. Agora some isso ao peso da bota que falei anteriormente. Percorremos mais de uma hora e meia nesse terreno até paramos na parte da trilha onde começava a neve.

Galera já no trekking, parando para lanchar… (Fotos do celular)

– Quarto e crucial erro

Paramos para lanchar e colocar os grampones para andar na neve e no gelo. Nesse momento o guia recapitula as instruções sobre os equipamentos e faz demonstrações práticas de como usá-lo. As paradas eram de no máximo 20 minutos para respirar e beber uma água. Foi então que o guia explicou que iríamos percorrer um trajeto de subida íngreme de cerca de uma hora em neve velha. O que isso quer dizer? Quer dizer que a neve estaria muito dura, quase em ponto de gelo, e que teríamos que forçar bem a pisada para o grampone firmar no solo. Só teria neve nova bem mais pra frente. Resumindo: teríamos que fazer mais força na pisada para o grampone entrar e fixar, segundo o nosso guia. (lembram da bota pesada?)

O quarto erro foi não avaliar que na época em que estaríamos por lá (abril), metade do trekking no vulcão Villarrica seria feito em cascalho, rocha vulcânica e neve velha. Ou seja, algo extremamente mais cansativo do que os relatos que eu havia lido. A maioria dos relatos sobre esse trekking de forma fácil e tranquila são de pessoas que o fizeram na temporada de neve ou no verão, quando ainda há muita neve fofa por lá.

Já completamente equipada

– Chegando aos “finalmentes”

Não me recordo qual foi o momento em que me distanciei do Rafael na fila indiana que subia em zigue-zague. Mas em algum momento, bem pra mais da metade do trekking, eu olhei para trás e vi os israelenses do grupo atrás de mim. É óbvio que nenhum deles era o Rafael. Continuei a cansativa caminhada e não demorou nem 15 minutos para um dos guias vir até mim e falar que meu “novio” havia desistido, mas que era para eu continuar. E continuei. Mas uma hora depois comecei a me sentir mal. Se vocês me perguntarem o que eu estava sentindo, eu não sei responder.

Hoje sei que quem estava mal era o meu psicológico. A verdade é que quando o Rafael desistiu eu fiquei com medo. Me senti sozinha no meio de um grupo que não falava a minha língua e não me conhecia. Tudo isso junto ao cansaço em excesso derivado dos erros. Os guias ainda tentaram me incentivar, mas mesmo assim eu desisti.

Eu esperando na pedra segura hahaha

Me colocaram em segurança atrás de uma pedra (???) enquanto eu aguardava pelo guia que me buscaria. A vista de lá de cima foi uma das mais lindas que já vi até hoje. Quando o meu resgate chegou falando que faltava bem pouco para chegar até a cratera do vulcão, o arrependimento de ter desistido bateu forte. Mas serviu de aprendizado.

Vista sensacional dos lagos e outros vulcões

A descida

Particularmente, essa foi a parte mais legal de todas! Em toda a parte de neve a descida é feita de esquibunda! No início eu fiquei com medo, mas depois eu queria mais era descer em velocidade! haha. Infelizmente não tenho fotos e vídeos dessa parte. Foi o único momento em que eu realmente relaxei e curti! Dizem que durante o período de neve é possível descer até a base do vulcão de esqui bunda. No meu caso, fui até onde era possível e terminamos caminhando. Lembro até hoje da cara de frustração do Rafael quando me viu! Ele achou que eu iria até o fim! hahaha

Vista da base do vulcão

Ficamos ali pela base, admirando o cenário e esperando o restante do grupo. Mas com a certeza de que um dia voltaríamos com mais planejamento e menos auto confiança para completar o trekking no Villarrica.

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Dhebora Sancho

Carioca de nascimento. Educadora Física de profissão. Viajante de coração. Apaixonada pelas coisas simples da vida e intrigada pelas complexas. Costuma dizer que adora um sol, mas não dispensa os dias nublados.

13 thoughts to “Vulcão Villarrica: relato pessoal de um trekking em um vulcão ativo”

  1. Uauu que experiência…precisa de muito preparo…suas dicas foram precisas com certeza. E o finalmente valeu a pena…lindo demais.

  2. Olá, minha viagem está programada para novembro, ainda não consegui entender bem como estará a questão da neve (final de primavera). Pois bem, aproveitando que você é da área de educação física, estou me preparando apenas com musculação, pois tenho problemas nas articulações do joelho esquerdo e nos tornozelos, mas já percebi que quando pratico musculação regulamente eu tenho uma melhora significativa.
    Você acredita que isso é um empecilho? Acha que eu deva fazer algo a mais?

    1. Olá, Nathali! Então, se o inverno for bom, terá bastante neve fofa (a neve boa), o que facilita o esforço na subida e facilita a descida de esquibunda. Quanto às suas lesões, fica difícil eu dar uma opinião mais direta por não saber de fato do que se tratam. A musculação é uma ótima atividade de fortalecimento muscular e articular, se feita de forma correta e sob orientação. Porém, caso você tenha alguma lesão séria no joelho ou no tornozelo o ideal seria consultar o seu professor, pois ele tem mais condições de avaliar o seu estado. Qualquer dúvida entre em contato com a gente! Beijos!!

      1. Olá pessoal, vcs estão comentando que andar na neve fofa é melhor, não é, andar na neve fofa é extremente pesado tb, imagine vc andando no barro atolando até as canelas…

  3. Poxa Dhebora, mesmo tendo desistido acho que foi uma experiência sensacional! Que guerreira!
    Eu teria desistido antes do Rafael, em Machu Picchu eu quase morri! Rsrs
    Amei o seu relato e as fotos.
    Beijos!

  4. Que coragem! Não sei se iria por dois motivos: a trilha, claro! e medo desse vulcão entrar em erupção. hahaha
    Mas foi ótimo ler seu relato! Imagino as dores no dia seguinte…

  5. Com certeza a vista é linda mesmo, mas eu no seu lugar também voltaria com meu molii haha.. meu sentimento seria o mesmo, faltando um pedaço de mim e ele faria o mesmo por mim com certeza. Mas ai está um bom motivo para se preparar e retornar a fazer esse passeio juntos. . bjss

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