Atualizado em 9 de abril de 2020

Pucón entrou no nosso roteiro por dois motivos: além de ser uma cidade linda, é a melhor base para subir o Vulcão Villarrica. E eu queria a todo custo fazer esse trekking e talvez tenha sido esse a todo custo o responsável pelas coisas não saírem como planejado. Por isso, segue aqui o meu relato pessoal mostrando um outro lado da moeda. E como diz o jargão popular: senta que lá vem textão!

Base do Vulcão Villarrica no Chile
Base no vulcão onde funciona o restaurante na temporada de inverno

Como foi o nosso trekking no Vulcão Villarrica

Expectativa

Fazer o trekking no Vulcão Villarrica, um dos mais ativos do país, era uma das coisas mais esperadas da nossa viagem pelo Chile. O vulcão é impressionante, mesmo! Subi-lo em meio a neve, chegar até a sua cratera e depois descer de esqui bunda parecia uma aventura e tanto. E foi! Ou melhor, mais ou menos.

Vista do Vulcão Villarrica com neve em seu cume
Olha assim de longe, parece até pequeno, né?

Preparação para subir o Vulcão Villarrica

Fechamos o trekking no Vulcão Villarrica para o nosso último dia em Pucón. O tempo estaria bom, sem muito vento e com solzão. Não tínhamos as roupas adequadas, mas todas as empresas oferecem os equipamentos e as vestimentas necessárias. Equipamentos de caminhada na neve, botas de trekking, mochila, roupas impermeáveis, material para o esqui bunda e etc. Nosso primeiro erro foi exatamente esse: não considerar o tipo de roupa que estaria inclusa. Vejam bem, todos os materiais que usamos estavam em bom estado, no entanto, o peso da bota que me foi emprestada influenciou bastante no sucesso da caminhada.

Equipada para subir o Vulcão Villarrica
Equipada para subir o Vulcão Villarrica

– Sobre nossas condições físicas

Bom, somos profissionais de Educação Física bastante ativos em relação às práticas esportivas. Porém, não estávamos fazendo muitas trilhas nos últimos meses que antecederam a viagem. E esse foi o nosso segundo erro: menosprezamos o fato de que iríamos fazer uma atividade completamente diferente das que estávamos fazendo.

Provavelmente uma galera bem melhor condicionada que nós hahaha

– O dia anterior

No dia anterior à ascensão ao Vulcão Villarrica aproveitamos para fazer alguns passeios pela cidade. Tudo muito tranquilo para não deixar o corpo cansado. Também compramos alguns lanches e água para levarmos no trekking. Porém, pecamos na parte da noite. Nosso terceiro erro: não dormir cedo.

Saímos para jantar e voltamos próximo da meia noite. Para quem tinha que estar na agência do passeio às 6 da manhã, certamente não foi uma boa decisão. Ou seja, já acordamos cansados.

O dia do trekking

Às 6 da manhã já estávamos na agência pegando nossos equipamentos. Foi aí que eu senti que a bota que eles ofereciam era bastante pesada. Éramos um grupo de 12 pessoas de várias nacionalidades, mais os 4 guias da empresa. Logo em seguida, entramos no ônibus em direção ao Parque Nacional Villarrica. Ao entrar no parque, um dos guias entrega uma lista com os dados de todos os que farão a ascensão ao Vulcão Villarrica. Na hora de ir embora essa lista é revista. Achei que havia um bom controle por parte do parque.

Vulcão Villarrica visto mais de perto
Vamos encarar o Villarrica?

– Instruções para a ascensão ao Vulcão Villarrica

Os guias fizeram uma pequena reunião com o grupo na base do vulcão. Era o momento de dar todas as instruções necessárias para um bom andamento da atividade. Eles explicaram sobre o uso dos equipamentos, principalmente do piquete – aquele negócio meio bastão, meio martelo para caminhada na neve. Aproveitaram também para falar como proceder em caso de escorregar ou cair na neve. Coisas que você não aprenderá em 5 minutos, sabe? Explicaram também a forma correta de caminhar com grampones sem se machucar e como será feito o percurso na neve. E se você quiser ir ao banheiro, essa é a hora! Uma vez no vulcão, sua única opção será fazer xixi atrás de alguma pedra! haha

– Início da caminhada

No início do trekking há a opção de pegar um teleférico pago à parte e economizar cerca de uma hora de caminhada. Optamos por isso, sem dúvidas! A subida começava por um extenso caminho de cascalho e rocha vulcânica que me dói as pernas só de lembrar. Era uma mistura de areia com pedra, de cor escura e fofa, sendo necessário fazer mais força para tirar o pé do chão que outra coisa. Agora some isso ao peso da bota que falei anteriormente. Ou seja, esforço dobrado. Percorremos mais de uma hora e meia nesse terreno até paramos na parte da trilha onde começava a neve.

Galera já no trekking, parando para lanchar… (Fotos do celular)

– Quarto e crucial erro

Paramos para lanchar e colocar os grampones para andar na neve e no gelo. Nesse momento o guia recapitula as instruções sobre os equipamentos e faz demonstrações práticas de como usá-lo. As paradas eram de no máximo 20 minutos para respirar e beber uma água. Foi então que o guia explicou que iríamos percorrer um trajeto de subida íngreme de cerca de uma hora em neve velha. O que isso quer dizer? a neve estaria muito dura, quase em ponto de gelo, e que teríamos que forçar bem a pisada para o grampone firmar no solo. Só teria neve nova bem mais pra frente. Resumindo: teríamos que fazer mais força na pisada para o grampone entrar e fixar, segundo o nosso guia. (lembram da bota pesada?)

O quarto erro foi não avaliar que na época em que estaríamos por lá (abril), metade do trekking no Vulcão Villarrica seria feito em cascalho, rocha vulcânica e neve em ponto de gelo. Ou seja, algo extremamente mais cansativo do que os relatos que eu havia lido. A maioria dos relatos sobre esse trekking de forma fácil e tranquila são de pessoas que o fizeram na temporada de neve ou no verão, quando ainda há muita neve fofa por lá.

Já completamente equipada

– Chegando aos “finalmentes”

Não me recordo qual foi o momento em que me distanciei do Rafael na fila indiana que subia em zigue-zague pelo Vulcão Villarrica. Mas em algum momento, bem pra mais da metade do trekking, eu olhei para trás e vi os israelenses do grupo atrás de mim. É óbvio que nenhum deles era o Rafael. Continuei a cansativa caminhada e não demorou nem 15 minutos para um dos guias vir até mim e falar que meu “novio” havia desistido, mas que era para eu continuar. E continuei. Entretanto, uma hora depois comecei a me sentir mal. Mas se vocês me perguntarem o que eu estava sentindo, eu não sei responder.

Hoje sei que quem estava mal era o meu psicológico. A verdade é que quando o Rafael desistiu eu fiquei com medo. Me senti sozinha no meio de um grupo que não falava a minha língua e não me conhecia. Tudo isso junto ao cansaço em excesso derivado dos erros. Os guias ainda tentaram me incentivar, mas mesmo assim, eu desisti.

Eu esperando na pedra segura hahaha

Me colocaram em segurança atrás de uma pedra (???) enquanto eu aguardava pelo guia que me buscaria. A vista de lá de cima foi uma das mais lindas que já vi até hoje. Quando o meu resgate chegou falando que faltava bem pouco para chegar até a cratera do vulcão, o arrependimento de ter desistido bateu forte. Mas serviu de aprendizado.

Vista de cima do Vulcão Villarrica
Vista sensacional dos lagos e outros vulcões

A descida do Vulcão Villarrica

Particularmente, essa foi a parte mais legal de todas! Durante toda a neve a descida é feita de esqui bunda! No início eu fiquei com medo, mas depois eu queria mais era descer em velocidade! haha. Infelizmente não tenho fotos e vídeos dessa parte. Foi o único momento em que eu realmente relaxei e curti! Dizem que durante o período de neve é possível descer até a base do vulcão de esqui bunda. No meu caso, fui até onde era possível e terminamos caminhando. Lembro até hoje da cara de frustração do Rafael quando me viu! Ele achou que eu iria até o fim! hahaha

Vista da base do vulcão

Ficamos ali pela base, admirando o cenário e esperando o restante do grupo. Mas com a certeza de que um dia voltaríamos com mais planejamento e menos auto confiança para completar o trekking no Vulcão Villarrica.

Ascensão ao Vulcão Villarrica: é pra mim?

A subida ao Vulcão Villarrica não é coisa de outro mundo e está longe de ser um dos trekkings mais difíceis da vida. Já fizemos trilhas mais cansativas nas Dolomitas (Alpes Italianos), por exemplo. O que pegou para nós foram as nossas condições, assim como todos os erros que cometemos. Se você está na dúvida se deve ou não fazê-lo, avalie as seguintes coisas:

  • Faça uma auto avaliação de como se encontra a sua condição física. Está muito sedentário? Está acostumado com trilhas?
  • O quão resistente ao frio você é? Principalmente se pretender fazer o trekking em meses mais frios.
  • Você tem as roupas adequadas? Pretende comprá-las? Vai usar as que são fornecidas pelas agências? (confira as nossas dicas de como se vestir em lugares frios e com neve)
  • Você tem algum problema de saúde que pode ser agravada durante o subida ao Vulcão Villarrica? Eu sei que essa parece óbvia, mas coisas simples como dores nos joelho ou na coluna podem se tornar um grande empecilho durante a caminhada.

De qualquer forma, mesmo que você não faça o trekking, vá pelo menos até a base do vulcão para conhecê-lo. De lá a vista já é fantástica e vale a visita! Para saber mais dicas da cidade, confira nosso post sobre o que fazer em Pucón. =)

Não se esqueça do Seguro Viagem!

Sempre recomendamos que você jamais faça um viagem internacional sem contratar um seguro viagem, ainda mais se você pretende fazer trilhas e/ou atividades mais radicais. Caso você precise de um auxílio médico, o seguro te dará toda a assistência necessária, evitando qualquer tipo de gasto extra com hospitais ou consultas, por exemplo, que são caríssimos no exterior. Além disso, a maioria ainda oferece cobertura para extravio de bagagem e atrasos de voos. Costumamos indicar muito a Real Seguros porque eles trabalham com as melhores seguradoras, possuem ótimos preços e condições de pagamento e ainda dão diversos descontos!

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Autor

Carioca de nascimento. Educadora Física de profissão. Viajante de coração. Apaixonada pelas coisas simples da vida e intrigada pelas complexas. Costuma dizer que adora um sol, mas não dispensa os dias nublados.

13 Comments

  1. Adorei o post, é um mega alerta para mostrar que certos tipos de viagem exigem certa preparação e que devemos ficar ligados no que nosso corpo aguenta, nunca exigir demais dele!

  2. viajei_compartilhei Responder

    Uauu que experiência…precisa de muito preparo…suas dicas foram precisas com certeza. E o finalmente valeu a pena…lindo demais.

  3. Nathali Costa Responder

    Olá, minha viagem está programada para novembro, ainda não consegui entender bem como estará a questão da neve (final de primavera). Pois bem, aproveitando que você é da área de educação física, estou me preparando apenas com musculação, pois tenho problemas nas articulações do joelho esquerdo e nos tornozelos, mas já percebi que quando pratico musculação regulamente eu tenho uma melhora significativa.
    Você acredita que isso é um empecilho? Acha que eu deva fazer algo a mais?

    • Olá, Nathali! Então, se o inverno for bom, terá bastante neve fofa (a neve boa), o que facilita o esforço na subida e facilita a descida de esquibunda. Quanto às suas lesões, fica difícil eu dar uma opinião mais direta por não saber de fato do que se tratam. A musculação é uma ótima atividade de fortalecimento muscular e articular, se feita de forma correta e sob orientação. Porém, caso você tenha alguma lesão séria no joelho ou no tornozelo o ideal seria consultar o seu professor, pois ele tem mais condições de avaliar o seu estado. Qualquer dúvida entre em contato com a gente! Beijos!!

      • Olá pessoal, vcs estão comentando que andar na neve fofa é melhor, não é, andar na neve fofa é extremente pesado tb, imagine vc andando no barro atolando até as canelas…

        • Olá, Fernando!
          Obrigada pelo comentário.
          Utilizamos o termo que os guias estavam utilizando no dia. Vou trocar para “neve nova” pra ver se fica melhor de ser entendido.
          Obrigada!
          Beijos!!

  4. Camila Pereira Responder

    Poxa Dhebora, mesmo tendo desistido acho que foi uma experiência sensacional! Que guerreira!
    Eu teria desistido antes do Rafael, em Machu Picchu eu quase morri! Rsrs
    Amei o seu relato e as fotos.
    Beijos!

  5. Que coragem! Não sei se iria por dois motivos: a trilha, claro! e medo desse vulcão entrar em erupção. hahaha
    Mas foi ótimo ler seu relato! Imagino as dores no dia seguinte…

  6. Com certeza a vista é linda mesmo, mas eu no seu lugar também voltaria com meu molii haha.. meu sentimento seria o mesmo, faltando um pedaço de mim e ele faria o mesmo por mim com certeza. Mas ai está um bom motivo para se preparar e retornar a fazer esse passeio juntos. . bjss

  7. Mesmo não tendo ido até o final, a experiência certamente deve ter sido espetacular! E os aprendizados fundamentais para uma nova tentativa em outros locais. Ótimo relato (e dicas!). Grande beijo.

    • Oi, Carla!
      Nós fizemos com a Andesmar. Mas como já tem um tempinho eu aconselho que você confira como está a empresa atualmente.

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