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Em toda a minha vida eu só havia estado na Ilha de Paquetá por uma única vez. Eu era criança, bem pequena mesmo, e talvez por isso não tivesse nenhuma memória da Ilha dos Amores – apelido carinhoso dado a ela – na cabeça. Há pouco tempo, já adulta e com quase 30 anos na cara resolvi que, finalmente, era hora de voltar. Ao chegar, fui recebida por ruas bucólicas, casinhas com arquitetura centenária e toda a magia e charme que faz jus à Paquetá. Clichê ou não, o lugar é um passeio de sucesso no Rio de Janeiro. E por isso, vou contar para vocês como chegar à ilha e o que fazer em 1 dia por lá.

Ilha de Paquetá
Que ilha mais charmosa, gente!

Sobre a ilha e como chegar em Paquetá

A Ilha de Paquetá é um bairro do Rio de Janeiro e muito provavelmente, um dos mais seguros do município. Não há prédios e nenhum tipo de construção muito alta por lá e além disso, carros também não são permitidos. Para passear por suas ruas, muitas delas ainda de barro, você usará bicicletas ou então os carrinhos elétricos que foram colocados no lugar das charretes. Ah, e claro, conhecer os seus pontos turísticos a pé também é sempre uma opção, já que a ilha tem apenas 1,2 km². Ou seja, é pequena e perfeita para um roteirinho de 1 dia.

Para chegar até o lugar que durante anos foi refúgio de D. João VI é necessário pegar uma barca na Praça XV, no centro do Rio. E aqui vai uma dica esperta: se você precisa saber um pouco mais sobre os meios de transporte no Rio de Janeiro, a Luciana do blog Let’s Fly Away tem um post completo explicando como andar no Rio.

Após mais ou menos 70 minutos de travessia pela Baía de Guanabara você chegará na terra que serviu de inspiração para muitos artistas. Aliás, Paquetá respira arte e ainda por cima, é cheia de História, principalmente do Brasil. Então, já se prepare para um passeio cheio de beleza e cultura.

Ilha de Paquetá
O clima bucólico está presente em todos os cantinhos da ilha

Como são as barcas

A empresa responsável pelo trajeto até a Ilha de Paquetá é a CCR Barcas. O valor da tarifa é R$6,30 cada trecho. No entanto, pode variar caso você utilize alguma integração como metrô, trem ou ônibus, por exemplo (mais informações e horários no site oficial). As barcas contam com ar condicionado, banheiros e lanchonete – apesar dela não estar aberta quando utilizamos o serviço. Vale ressaltar que também há diversos ambulantes vendendo bebidas e comidas.

Não há número máximo de visitantes na ilha, porém, aos sábados, domingos e feriados o local costuma ficar bem mais cheio, principalmente durante o verão.

O que fazer na Ilha de Paquetá: roteiro perfeito para um passeio de 1 dia

Nosso passeio em Paquetá se dividiu em duas partes: a pé e de bike. Fizemos isso para otimizar o dia e termos uma das experiências mais gostosas da ilha, que é o passeio de bicicleta. Muita gente também opta pelo carrinho elétrico e ele pode ser uma opção caso você queria fazer zero esforço. O valor do tour de uma hora em um deles é 100 reais, para até 5 adultos. Para maiores informações sobre tours e valores consulte o site oficial da ilha.

Aqui vai um agradecimento muito especial aos nossos amigos Deb e Vini, do Brazil Experience Tours, que além de montarem todo esse roteiro redondinho pela Ilha de Paquetá, ainda foram nossos guias e nos contaram tudo sobre a história do lugar. Ah, e uma notícia muito boa: todos os pontos mais imperdíveis são gratuitos. E não se assustem com a quantidade de lugares para ver, tudo é bem pertinho e muitos deles são apenas de contemplação externa.

Paquetá
Com nossos amigos Deb e Vini, do Brazil Experience Tours

Primeira parte do nosso passeio em Paquetá: a pé

Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte

Logo assim que você desembarca em Paquetá dois pontos turísticos da ilha estão bem ali, pertinho de você. Um deles é a Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte. Ela foi remodelada toda em estilo neogótico e é linda. Uma joia que pode ser avistada até mesmo de dentro da própria barca.

Igreja Senhor do Bom Jesus do Monte Paquetá
Igreja Senhor do Bom Jesus do Monte

Praça Pintor Pedro Bruno

A Praça Pintor Pedro Bruno é o outro ponto turístico da Ilha de Paquetá que você verá logo de cara. Aliás, é nela que se encontra a estação das barcas. Ela tem esse nome em homenagem ao pintor, escultor e desenhista Pedro Bruno, que nasceu e morou na ilha. Ele foi responsável por diversos projetos paisagísticos em Paquetá e, inclusive, a própria praça foi projetada por ele.

Praça Pintor Pedro Bruno
Praça Pintor Pedro Bruno

Casa da Moreninha

Em seguida, fomos até a Casa da Moreninha, uma residência utilizada nas filmagens da icônica novela A Moreninha, da Rede Globo, na década de 70. A casa está muito bem conservada, mas infelizmente, não é aberta à visitação.

Casa da Moreninha
Casa da Moreninha

Cemitério dos Pássaros

Seguimos, então, para um dos pontos turísticos mais diferentes de Paquetá. O Cemitério dos Pássaros é exatamente o que o seu nome diz: um cemitério de passarinhos. Ele é o primeiro do mundo e já ouvi dizer que pessoas de vários lugares do estado vão até lá enterrar os seus bichinhos quando eles morrem.

Cemitério dos Pássaros
Cemitério dos Pássaros

Parque Darke de Mattos

A próxima parada do nosso roteiro foi em um dos lugares que eu mais gostei por lá. O Parque Darke de Mattos é lindo e possui uma ampla e espetacular vista da Ilha de Paquetá, da Baía de Guanabara e diversos outros pontos do Rio de Janeiro.

Parque Darke de Mattos
Parque Darke de Mattos

O local conta com algumas trilhas, entre elas uma que leva até o Mirante Boa Vista, no Morro da Cruz. Foi de longe uma das paisagens mais bonitas que vimos naquele dia e por isso, é uma das dicas imperdíveis do que fazer em Paquetá.

Mirante Boa Vista Morro da Cruz
Visual do Mirante Boa Vista para Paquetá

Uma outra coisa interessante sobre o parque é que as árvores que ali estão são centenárias, desde a época em que o Brasil ainda era colônia de Portugal.

Parque Darke de Mattos em Paquetá
Área para caminhada e contemplação no Parque Darke de Mattos

Praia José Bonifácio e Casa de José Bonifácio

A Praia de José Bonifácio foi a nossa última parada a pé no roteiro por Paquetá. Ela é uma das mais populares da ilha e possui vários barzinhos, quiosques e pedalinhos.

O seu nome é uma homenagem ao nosso patrono da independência – José Bonifácio, o próprio. E, é justamente nessa praia que se encontra a Casa de José Bonifácio, local que serviu como sua prisão domiciliar. Como a propriedade é privada, também não é possível visitá-la.

Casa de José Bonifácio
Casa de José Bonifácio

Segunda parte do nosso passeio por Paquetá: bike

Praia dos Tamoios, Caramanchão dos Tamoios e Árvore Maria Gorda

Finalmente alugamos a nossa bike para continuarmos o nosso passeio (consulte os valores de aluguel aqui). Em seguida fomos até a Praia dos Tamoios, mais uma praia de Paquetá com alguns pontos turísticos importantes da ilha. Primeiro passamos em frente a Praça Bom Jesus do Monte e em seguida paramos no Caramanchão dos Tamoios, um monumento paisagístico muito charmoso feito por Pedro Bruno.

Caramanchão dos Tamoios
Caramanchão dos Tamoios

Depois passamos pelo Canhão de Saudação a D. João VI, que era utilizado toda a vez que ele visitava a ilha, como uma forma de recepção. E logo após fomos até a Maria Gorda, uma figura ilustre de Paquetá que é nada mais, nada menos que um baobá gigante de origem africana. A árvore é até tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado.

Árvore Maria Gorda
Árvore Maria Gorda

Praia Catimbau

A próxima parada foi na Praia de Catimbau, um pouco mais ao norte da ilha. A praia é linda e dela é possível ver até mesmo a Serra dos Órgãos. É claro, em dias de tempo bom e completamente aberto. rs

Praia Catimbau
Praia Catimbau

Praça de São Roque e Casa de Artes Paquetá

Logo em seguida fomos até a Praça de São Roque, a principal de Paquetá e que leva o nome do padroeiro da ilha. É ali que se encontra a Capela de São Roque, local que dizem abrigar uma belíssima pintura de Pedro Bruno. Como não entramos na igreja, não vimos a pintura.

Capela de São Jorge Paquetá
Capela de São Roque

A praça também abriga o Coreto Renato Antunes e a antiga Fazenda São Roque, uma das primeira propriedades da Ilha de Paquetá e que hoje em dia é a Escola Municipal Pedro Bruno. No entanto, o que rouba a cena no local é o Poço de São Roque. Não pelo fato de ser um poço em si, mas por uma história relacionada à ele. Antigamente, sua função era abastecer a fazenda, mas reza a lenda que ele ficou famoso mesmo por causa de suas águas milagrosas que foram capazes de curar as feridas que D. João VI tinha na perna.

Coreto Renato Antunes
Coreto Renato Antunes

Demos uma breve olhadinha na Praia de São Roque, logo em frente à praça e seguimos para esquerda, até o final de uma rua sem saída. Nela se encontram a Chácara da Moreninha, um sítio que serviu de reduto cultural para a nata da sociedade carioca durante as décadas de 40 e 50 e que hoje em dia pode ser alugado para eventos, e também a Casa de Artes Paquetá. A casa é o centro cultural da ilha e frequentemente promove eventos culturais e artísticos. Também é nela que se encontra o Centro de Memória da Ilha de Paquetá.

Praia da Moreninha e Pedra da Moreninha

Finalmente era hora de conhecer um dos pontos turísticos mais famosos de Paquetá, a Pedra da Moreninha. Então, seguimos de bike até a Praia da Moreninha, local onde a pedra se encontra. Uma curiosidade sobre o lugar é que apesar dela ser a mais importante da ilha, – culturalmente falando – a extensão atual da praia é de origem artificial. No local há um bar e algumas barraquinhas vendendo comidas e bebidas.

Praia da Moreninha
Praia da Moreninha

Nela se encontra a famosa Pedra da Moreninha, um mirante natural com uma vista daquelas! Para chegar até o topo é necessário seguir por uma trilha de nível fácil e bem curtinha. Lá em cima você verá toda a baía de Guanabara, a Ponte Rio-Niterói, o Pão de Açúcar e praticamente o Rio de Janeiro inteiro. Logo à frente uma outra ilha chama a atenção. Trata-se da Ilha de Brocoió, que é propriedade do Estado e serve como residência alternativa para o governador.

Pedra da Moreninha
Ilha de Brocoió lá no fundo
Curiosidade sobre A Moreninha

Não se sabe ao certo se Paquetá teria realmente sido o cenário real do romance de mesmo nome escrito por Joaquim Manuel de Macedo ou se foi apenas uma inspiração. Há diversas teorias em questão. Algumas dizem que os personagens do livro são alter-egos do escritor e sua esposa, outras afirmam que a estória foi inspirada em uma moça que viveu na ilha. No entanto, não há uma menção sequer à Paquetá, de fato, nas páginas. De qualquer forma, fica no ar a dúvida. rs

Ponte da Saudade

Logo em seguida fomos até a Ponte da Saudade. Na verdade, trata-se de um píer que recebeu esse nome por causa de um escravo. Conta-se que João da Saudade, um escravo do tempo colonial, ia todo dia até o local chorar e rezar por sua família que havia ficado na África.

Ponte da Saudade
Ponte da Saudade

Pedra dos Namorados

Bem pertinho da ponte se encontra a pedra mais supersticiosa da Ilha de Paquetá. É aqui que você pode testar se terá sorte ou não no amor. A lenda diz que a gente deve ficar de costas e atirar uma pedrinha na direção da Pedra dos Namorados. Se a pedrinha ficar lá por cima é sinal de que você terá um amor eterno e correspondido. Bom, nós erramos todas, mas nosso casamento continua firme e forte! haha.

Pedra dos Namorados
Pedra dos Namorados

Farol da Mesbla

Nosso último ponto visitado foi o Farol da Mesbla. Localizado na Praia das Gaivotas, a torre possui 9 metros de altura e foi um presente da antiga Lojas Mesbla para a ilha. Ele fica em frente ao local que um dia já foi um clube de férias para os funcionários da loja. Uma curiosidade sobre o farol é que o relógio é uma réplica do que tem no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Farol da Mesbla
Farol da Mesbla

Encerramos nosso tour por Paquetá já com vontade de voltar para curtir um fim de semana de calmaria na ilha. Agora me digam: um passeio desses não vale a pena? =)

Ilha de Paquetá
Vista de Paquetá para a Serra dos Órgãos

Dica extra: Solar D’el Rei e Preventório Rainha Dona Amélia

Como dica extra para acrescentar no seu roteiro vamos sugerir dois lugares que ficaram de fora do nosso passeio. O Solar D’el Rei era a antiga propriedade de um mercador de escravos e serviu de hospedaria para D. João VI durante diversas de suas passagens pela ilha. Atualmente funciona como Biblioteca Popular de Paquetá e o mais triste nessa história toda é que o local está bem abandonado, mesmo tendo sido tombado pelo IPHAN, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Já o Preventório Rainha Dona Amélia serviu como um local onde eram levados os filhos dos portadores de tuberculose para fazerem tipo uma quarentena e evitarem o contágio com os demais. Eles ficavam isolados mesmo que não apresentassem a doença. Hoje em dia o local funciona como um semi-internato para crianças carentes.

Onde comer barato na Ilha de Paquetá

No geral, não achamos a ilha um lugar caro. É claro que como em todos os lugares do mundo, há restaurantes baratos e outros mais caros. No entanto, até os de valores mais altos estavam dentro de um padrão aceitável. Porém, como fizemos esse passeio em um dia de vacas muito magras (rs), escolhemos um lugar baratinho para comer e foi sucesso. Comemos um PF daqueles no restaurante da Igreja Bom Jesus do Monte. Havia algumas opções de prato feito e os preços giravam em torno de 15 à 18 reais. Achamos a comida gostosa e muito bem servida.

Almoço em Paquetá
PF da Igreja

Afinal, e as praias de Paquetá? São próprias ou não para banho?

Infelizmente, as praias de Paquetá fazem parte da Baía de Guanabara, que há tempos se encontra poluída. No entanto, apesar disso e de muito se ouvir falar que todas as praias são impróprias para o banho, em algumas épocas do ano há trechos que ficam próprios, de acordo com o INEA (órgão que faz essa aferição). O ideal é sempre acompanhar o último boletim no site deles caso a sua intenção na ilha seja um banho de mar.

Paquetá
Barquinhos para compor o cenário

Onde ficar na ilha: hotéis em Paquetá para você estender o seu passeio

Se você quiser curtir uma noite em Paquetá e continuar aproveitando o clima calmo e tranquilo da ilha, algumas pousadas são bem charmosas e contam até mesmo com piscina. Dê uma olhadinha nos seguintes lugares:

CONFIRA OUTROS PASSEIOS BEM LEGAIS PARA CURTIR O DIA NO RIO DE JANEIRO:

-6 mirantes no Rio de Janeiro para ver a cidade do alto, sem esforço e gratuitamente
-Parque Penhasco Dois Irmãos, um paraíso no bairro do Leblon
-Ilha da Gigóia, um cantinho especial na Barra da Tijuca
-Amanhecer na Vista Chinesa, um dos melhores mirantes do Rio
-Mirante Dona Marta, os encantos de uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro

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Carioca de nascimento. Educadora Física de profissão. Viajante de coração. Apaixonada pelas coisas simples da vida e intrigada pelas complexas. Costuma dizer que adora um sol, mas não dispensa os dias nublados.

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