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Ele é colhido grão a grão, manualmente, até atingir cerca de 70 a 80 kg por dia no auge da colheita. Foi essa a informação que ficou na minha cabeça ao visitar um dos sítios da Rota Verde do Café. Ora, quem diria que em um estado do Nordeste, onde belas praias estampam cartões postais, o produto especial de exportação não teria nada a ver com o mar? Pois, acredite se quiser! É na Região Serrana do Ceará, a algumas horas de Fortaleza, que há anos se produz uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros.

Rota Verde do Café
Grão de café

Rota Verde do Café, no Ceará

Em uma área de proteção ambiental com mais de 32.600 hectares, o Café Sombreado é lavrado nas fazendas que ali se encontram. Cultivado à sombra da mata das Ingazeiras, – e por isso o seu nome – o que o torna especial é esse equilíbrio entre a pouca quantidade de sol que entra e o solo rico em nutrientes.

Rota Verde do Café
O fruto do café ainda verdinho, sem estar maduro

Contrastes à parte, a Região Serrana do Ceará é um deleite para toda essa mistura cultural e paisagística que existe no Brasil. Como se não bastasse ter serra e frio em um estado tão procurado pelo sol e calor, o Maciço de Baturité, local onde se encontra a Rota Verde do Café, consegue unir de forma perfeita a Mata Atlântica com a Floresta Amazônica. O resultado dessa união? Um café puro, produzido nas montanhas, 100% arábico e artesanal e que durante muito tempo figurou as melhores cafeterias da Europa no século 19. Com o tempo e o desgaste do solo a exportação para o território europeu caiu bastante. Mas hoje em dia, as coisas mudaram um pouquinho e aos poucos essa tradição secular voltou a ganhar força.

Como é o passeio

Tamanha foi a minha surpresa quando saí de Fortaleza e subi a serra em direção à Rota Verde do Café. Afinal, era uma serra de verdade, sinuosa, em meio a um estado que não essa fama. Confesso que não apreciei muito o caminho, mas não foi por falta de vontade. Como uma chuvinha chata insistia em cair, os mais de 100 km que separam a capital do Ceará do Maciço de Baturité serviram para eu descansar. Para os privilegiados que fazem esse trajeto em dias de sol, as paisagens da caatinga não precisarão implorar por seus olhos abertos.

A visita ao primeiro sítio estava por vir e eu não fazia ideia do que encontraria. Tudo o que eu já havia visto sobre plantação de café se resumia às novelas da tv. Nem mesmo o Vale do Café, localizado aqui Rio mesmo, teve a minha presença. O que sem sombra de dúvidas é um erro, eu sei. Ou seja, nessa história, tudo era novidade para mim. E como boa apreciadora de um cafezinho, – pra não dizer viciada – eu estava ansiosa para aprender sobre essa bebida energizante.

->Dica de hospedagem: como eu estava hospedada em Fortaleza, no Hotel Gran Mareiro na Praia do Futuro, o passeio foi um bate e volta saindo da cidade. No entanto, quem já se hospedou por lá diz que vale a pena ficar uns dias pela região. Caso você queira estender a viagem, confira as hospedagens nos municípios que fazem parte da Serra do Baturité: Baturité, Pacoti, Guaramiranga e Mulungu.

Sítio Águas Finas

O Sítio Águas finas foi a primeira parada na Rota Verde do Café. E de boas vindas, um café esperava os visitantes. O Sr. Uchôa, proprietário e guia da fazenda, foi um anfitrião e tanto. Após contar toda a história cafeeira do local e explicar tudo sobre os cafés especiais, ele ainda deu uma palinha sobre o processo de torra e moagem do grão. O bichinho manja muito disso tudo! Até porque, desde 1939 sua família cultiva o café no Maciço de Baturité.

Logo em seguida fomos para o ponto alto do passeio pelo sítio. Uma trilha em meio ao cafezal estava à espera. O percurso não era longo e tampouco difícil, mas o terreno era um pouco irregular e com algumas subidas. Diante disso, leve um tênis e de preferência que não seja branco.

Sítio Águas Finas Rota Verde do Café
Trilha pelo cafezal no Sítio Águas Finas, na Rota Verde do Café

Ao longo do trajeto diversas placas passam mais informações e contam mais histórias sobre o café e aquela região. Acrescente a isso a presença do Sr. Uchôa e sua equipe sempre atentos, solícitos e dispostos a nos contar sobre as maravilhas daquele lugar. Ao final do tour, uma despedida em notas musicais. O até logo veio cheio de luz e esperança através de um dos alunos da escola de música que existe no sítio. Se existe alguma forma melhor de encerrar um passeio, eu desconheço.

Sítio Águas Finas
O fruto do café já quase 100% maduro
ítio Águas Finas Rota Verde do Café
Um até logo emocionante
Horário de funcionamento: Segunda à domingo, das 10h às 17h. / Trilhas: 10h, 11h30min, 13h30min e 15h
Endereço: Acesso pela CE 356 – Guaramiranga.
Contato: [email protected] 
Sítio Águas Finas Rota Verde do Café
Ao final da visita é possível levar um café especial para casa. É claro que fui às compras!
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Sítio São Luís

Um casarão de 860 anos com inúmeras colunas brancas foi a outra parada na Rota Verde do Café. A propriedade com 40 hectares de mata nativa encanta não somente por isso. Dona Claudia, proprietária do Sítio São Luís, nos recebeu com todo aquele jeitinho e aconchego de vó. Sua casa (sim! A casa ainda é habitada)recebe todos os viajantes com histórias, café, pão quentinho, bolos e geleias.

Sítio São Luís
Sítio São Luís, uma das casas mais antigas da Rota Verde do Café

Ao entrar no casarão a sensação que eu tive era de que estava em 1858 e não sabia. Todo o mobiliário e objetos devidamente dispostos conforme antigamente. Cada cômodo, cada pedacinho daquele lugar fazendo jus a idade que a casa tem. Mas no entanto, tudo tão bem cuidado, tão delicado e capaz de mexer com as lembranças de muita gente que deve passar por ali. Isso sem contar o jardim, que mesmo com o dia nublado trazia aquela sensação maravilhosa de fazenda. Sem dúvidas, um passeio que valeu cada minuto!

Sítio São Luís
Parte de um dos cômodos do Sítio São Luís
Horário de funcionamento: Sábados e domingos, das 10h às 17h.
Endereço: Sítio São Luís, s/n – Zona Rural, Distrito Santana – Pacoti
Site oficial: https://sitiosaoluis.business.site/

Sítio São Luís

O passeio pela Rota do Café no Ceará fez parte de uma Fampress organizada pela Secretaria de Turismo do Ceará e pelo Blog Papo de Turista, cujo o Carioca Sem Fronteiras foi um dos convidados. Apesar do convite, todas as opiniões escritas nesse post expressam a nossa experiência e retratam a realidade, sendo elas positivas ou não. Aqui no blog prezamos pela total transparência com o leitor.

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Autor

Carioca de nascimento. Educadora Física de profissão. Viajante de coração. Apaixonada pelas coisas simples da vida e intrigada pelas complexas. Costuma dizer que adora um sol, mas não dispensa os dias nublados.

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